Considerações sobre o turismo de Salvador

Nesse início de 2013, seja pelo início de uma gestão municipal, seja apenas pelo início de mais um ano, muitas pessoas passaram a discutir e opinar sobre o turismo de Salvador, com opiniões as mais diversas e, muitas vezes, divertidas. Que o turismo de Salvador está precisando de uma renovação geral, muitos concordam e eu também, mas é sempre bom ordenar e avaliar as ideias. Assim, aqui nesta coluna, que inicio neste momento, pretendo tratar, hoje e nas próximas semanas, de temas que trazem alternativas para gerar conteúdo para o turismo da cidade, e trazer informação sobre questões ligadas ao turismo, economia criativa e outros temas correlatos.

Salvador possui três espaços que são tipicamente turísticos. O primeiro é o Centro Antigo, ai compreendido desde o Campo Grande até a Liberdade, passando pela Avenida Sete, Nazaré, Praça da Sé, Pelourinho, Carmo, Santo Antônio Além do Carmo, Barbalho, Lapinha e arredores. Na cidade baixa o chamado centro antigo da cidade vai da Avenida Contorno a Água de Meninos. Como quase todo centro de uma grande cidade, ele exige cuidados especiais no que se refere à mobilidade urbana, conservação e utilização dos imóveis históricos, descaracterização do patrimônio etc. Para esse grande espaço de nossa cidade existe o Plano de Reabilitação do Centro Antigo de Salvador, que prevê o incremento da atividade econômica na região, com foco nas micro e pequenas empresas, em especial as culturais e criativas. Prevê ainda a valorização da paisagem original do frontispício da cidade, a valorização da orla do centro antigo, valorização do bairro do Comércio, cuidados especiais com a população que habita esse espaço da cidade e outros objetivos. Feliz da cidade do Salvador se esse Plano for implantado. Atualmente algumas obras se destacam no centro antigo, como as reformas da Feira de São Joaquim e do terminal de passageiros do Porto de Salvador e a reestruturação completa do Hotel da Bahia, que darão novo ânimo ao turismo local.

O segundo espaço turístico por excelência é a Península de Itapagipe, que mais se parece uma pequena e pacata cidade do recôncavo da Bahia, cheia de charme e bucolismo. Apesar de possuir atrativos turísticos de especial importância para a cidade, como a Igreja do Bonfim, o Forte de Monte Serrat, a Ponta do Humaitá, o Memorial de Irmã Dulce e a orla da Ribeira, ela só é minimamente aproveitada para ocupar parte do tempo do visitante na cidade. A Península pode ser aproveitada para muito mais do que a simples contemplação de sua beleza, oferecendo algumas alternativas criativas aos visitantes, como conhecer as instituições culturais e comunitárias que ali existem e movimentam a cultura local, como a Fábrica Cultural, o ICBIE, o Bagunçaço, o Centro Cultural Alagados e tantos outros. Assim os visitantes, sejam turistas, sejam moradores da própria cidade, vão aprender muito sobre a história do lugar, conhecer gente interessante e engajada, e o mais importante, voltar para casa com a sensação de ter vivido uma experiência diferente e boa para se guardar na memória para sempre.

O terceiro espaço turístico que vejo em Salvador é a orla, desde a Barra até Itapoan. Consideradas como cartões postais de Salvador e até da Bahia, as praias precisam de uma atenção especial, apesar de que a parte mais importante nós já herdamos pronta da natureza. O que é preciso fazer é manter as praias próprias para banho, salvamento marítimo de boa qualidade, estacionamentos e transporte público de qualidade, sanitários e outros serviços básicos, sobretudo nos fins de semana e períodos de alta temporada.

Além da atenção especial com esses três eixos principais, algumas questões devem ser lembradas nesse momento de reflexão. Uma delas é que nossa cidade possui um Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável, o PDITS. Esse Plano, elaborado pela Fundação Escola de Administração da UFBa para a Prefeitura de Salvador, considera que o turismo de Salvador deve se desenvolver, sobretudo, nas áreas do Centro Antigo, na orla da Baía de Todos os Santos (aí incluída a Península de Itapagipe), na orla oceânica, nas Ilhas de Salvador e nos Parques Metropolitanos, valorizando especialmente os segmentos do turismo cultural, étnico-afro, sol e praia, náutico, negócios e eventos. Mais uma vez, sem querer reinventar a roda, entendo que se o PDITS for implementado teremos um turismo com foco, diferente do que temos assistido até hoje. Nesse aspecto do desenvolvimento do turismo ordenado pelos Planos existentes, vale destacar que a Baía de Todos os Santos e, especialmente, Salvador, são o palco principal do Prodetur Nacional Bahia, que chegará com recursos para desenvolver o turismo na BTS, trazendo um ganho excepcional para o desenvolvimento do turismo cultural e náutico.

Outro filão que deverá ser bem explorado em Salvador é o dos mega eventos, atualmente uma grande tendência no turismo mundial, como a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas, para citar apenas três no campo esportivo, mas poderia incluir também o nosso carnaval nessa lista. Outras opções são os shows de estrelas da música internacional e até mesmo de cantores nacionais de sucesso. Esses eventos, sobretudo quando passam a fazer parte de um calendário, fazem com que a imagem daquele destino fique associada àquele tipo de atividade, e isso é muito bom.

Por fim, uma questão que não pode ficar de fora de uma boa discussão sobre o turismo de Salvador é o desenvolvimento da Economia Criativa, que engloba as atividades empresariais que possuem a criatividade humana como insumo mais elementar, como a musica, a moda, as artes, a gastronomia, o cinema, o design, a arquitetura, os negócios digitais e outros, mas esse tema ficará para uma próxima oportunidade.
 


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Editorial, 05.MARÇO.2013 | Postado em Geral
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