Novos prefeitos, novos secretários de turismo. E agora?

O ano passado foi marcado pelas eleições municipais e por conta dessas eleições, a partir de 1º de janeiro deste ano chegaram novas administrações nas cidades do Brasil e, com elas, novos gestores de turismo.

Alguns desses novos gestores de turismo assumem esse grande desafio para atender compromissos de campanha entre os partidos aliados, e nem sempre têm experiência anterior para saber o que fazer para desenvolver o turismo em seu município.

Primeiro, na minha opinião, uma cidade não precisaria necessariamente ter uma secretaria de turismo exclusiva, mas deveria ter sim, no mínimo, um departamento com equipe suficiente para tratar desse tema, que se aproxima de assuntos como desenvolvimento econômico, cultura e meio ambiente. Conheço casos de secretarias de turismo que não funcionam e casos de diretorias de turismo vinculadas a outras secretarias que funcionam plenamente. Aqui em Salvador, por exemplo, a secretaria municipal é de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Cultura, e pelos primeiros passos, parece que vai funcionar muito bem.

É importante que o novo gestor entenda que turismo não é apenas os eventos e as festas. Esses momentos importantes e representativos da cultura local devem ser aproveitados para desenvolver o turismo, gerar fluxo de visitantes, movimentar a economia local, melhorar a ocupação das pousadas e hotéis e, consequentemente, movimentar os restaurantes e bares, o comércio, centros de artesanato e toda a produção associada ao turismo, mas, decididamente, a secretaria de turismo não pode viver apenas em função das festas. Isso é muito pouco.

Uma das mais prioritárias atribuições de uma secretaria de turismo é alinhar o seu município às políticas nacionais de turismo. Assim, é necessário conhecer o Plano Nacional de Turismo e os Programas do Governo Federal para entender como fazer parte desse movimento nacional que busca profissionalizar a gestão, qualificar e diversificar a oferta turística. Nesse sentido também é importante conhecer o que tem feito o Governo da Bahia, através da Setur, para desenvolver o turismo no estado. Se o município ficar na área de influência da Baia de Todos os Santos, tem-se como fundamental conhecer os projetos do novo Prodetur Nacional Bahia.

Outra questão é colocar o seu município nas agendas dos órgãos que influenciam o turismo de sua cidade, como Ministério do Turismo, Secretaria de Turismo da Bahia, Ipac, Iphan, Instituto Mauá, Sebrae, Senac e outros. Para tanto, é preciso visitar os gestores desses órgãos propondo ações e parcerias municipais. Nesse sentido, participar ativamente da Câmara de Turismo de sua região contribui para aumentar seu poder de influência. As Câmaras de Turismo precisam se fortalecer para influenciar mais e mais o turismo da Bahia.

Agora vem o melhor. E se o gestor municipal de turismo não souber o que propor? Ora, os municípios mais bem organizados possuem planos e executam o que foi planejado. Existem planos de desenvolvimento turístico, planos de marketing turístico, planos de desenvolvimento da produção associada ao turismo, enfim, planos diversos que ordenam o pensamento e priorizam as ações mais urgentes para desenvolver o turismo de forma responsável e com foco em determinados segmentos. Reconhecer que não sabe o que fazer já é um grande e importante passo. Assim, começar a fazer planejamento do turismo de seu município é uma prova de profissionalização da gestão municipal e coloca a sua cidade em vantagem para dialogar com os órgãos citados anteriormente, partindo de um documento profissional e bem feito. Muitas Prefeituras Municipais não possuem técnicos preparados para coordenar um processo de planejamento turístico, mas existem empresas e profissionais no mercado que fazem isso muito bem.

Por fim, quero deixar uma dica aos novos gestores municipais. É fundamental ter na equipe de turismo, pessoas que sejam da área, ou seja, que já aprenderam (e erraram) em outros ambientes, para contribuir de forma mais efetiva com a administração municipal e com o desenvolvimento do turismo. Mãos á Obra.


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Editorial, 20.DEZEMBRO.2013 | Postado em Geral
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