O atendimento ao turista na Bahia

Na semana passada foi divulgada nos órgãos de imprensa na Bahia a estatística de chegadas do Aeroporto Internacional de Salvador. Esses números mostraram que o desembarque decresceu de 2011 para 2012 e, mais uma vez, de 2012 para 2013, considerando apenas o período da alta estação de verão. Pensando nisso e preocupado com as consequências no desenvolvimento e no emprego, caso essa tendência se perpetue, lembrei de alguns fatos verídicos relativos ao atendimento ao turista, aqui na Bahia e fora dela.

Certa feita, no café da manhã de um hotel em Pucon, no interior do Chile, minha esposa perguntou ao garçom se teria um suco de framboesas frescas. Ele imediatamente disse que sim, que teria o tal suco. Foi ao Buffet de frutas, colheu as tais framboesas e fez uma jarra de suco tão gostoso quanto belo. No dia seguinte, quando chegamos ao café da manhã, o mesmo garçom, por iniciativa própria, se aproximou da mesa e nos serviu, mais uma vez, um novo e delicioso suco de framboesa. Lembrou-se dos clientes e tratou de encantá-los com seu serviço. Simples assim. A linda cidade de Pucon é sensacional para os esportes de aventura e fica na margem de um lago paradisíaco.

Em outra ocasião, em Belo Horizonte, voltando do Parque de Inhotim, parei o carro na região da Savassi, para pedir informações a um policial sobre onde eu encontraria uma padaria confortável para fazer um breve lanche com duas crianças que estavam cansadas e famintas. Ele me deu duas preciosas e detalhadas dicas. Até ai tudo bem. Acontece que no dia seguinte, ao parar na sinaleira perto daquele lugar, ele, o policial, se aproximou para perguntar se tínhamos encontrado a padaria e se as crianças tinham gostado do lanche. Foi nessa hora que eu me belisquei para saber se estava acordado. Somente para registrar, o Parque de Inhotim é sensacional e os serviços em Belo Horizonte são bem diferentes dos que temos por aqui.

Agora vamos de volta à Bahia. Vocês estão preparados? Pois então vamos lá.

Um dia desses, eu estava em um restaurante de comida muito boa em uma das mais famosas praias da Bahia. Enquanto aguardava o meu prato de carne do sol, estava tentando ler um livro de Richard Florida sobre a Classe Criativa. Acontece que uma senhora, sentada em mesa bem próxima, falava tão alto que me tirava a atenção do livro a todo instante. Fui forçado a ouvir quase toda a sua conversa com uma garçonete e com pescadores e prestadores de serviços que passavam em todo momento. Entre outros temas de ordem pessoal, ela reclamava do seu próprio salário, em alto e bom tom, chegando a dizer que a metade dele era gasto com os seus gatos. Até ai tudo bem. Quando acabei de almoçar, perguntei à garçonete, sempre muito atenciosa, quem era aquela senhora faladeira e foi aí que fiquei sabendo que se tratava da gerente do estabelecimento. Que tal?

Outro caso que explicita a qualidade do nosso atendimento ao cliente aqui na Bahia aconteceu no dia 04 de janeiro desse ano, em uma localidade muito movimentada, sobretudo no período de réveillon, carnaval, etc. Chegamos, às 23:30h, a um restaurante muito famoso para jantar. Pedimos um espumante e entradas de polvo, enquanto escolhíamos os pratos principais. Quanto fomos fazer o pedido, às 23:50h, soubemos que a cozinha já havia fechado, antes mesmo de os clientes fazerem os seus pedidos. Explicaram que os empregados precisavam pegar o último transporte para retornar às suas casas, pois não havia articulação para o transporte após aquele horário e outras coisas mais. Depois de alguns contra argumentos, eles aceitaram nos atender, mas o mal já tinha sido feito: a cozinha tinha fechado antes de os clientes pedirem seus pratos.

Pra terminar, na semana passada, em uma cidade do sudoeste da Bahia, eu era o único cliente de um restaurante. Como o som estava demasiadamente alto e com música pagodeira de terceira categoria, resolvi pedir ao garçom para desligar o som, e avisei que eu tinha acabado de chegar de viagem e estava realmente muito cansado, precisando de um pouco de silêncio. Ele fez uma cara muito feia e me disse que abaixaria “um pouco”. Ai que percebi que o som estava alto para a sua própria alegria e eu, o único cliente da casa, estava tentando atrapalhar a sua diversão.

Talvez esse tipo de atendimento desajeitado e pouco profissional, tenha sua parcela de responsabilidade na queda dos números apresentados pela Infraero, sobretudo quando sabemos que outros destinos, até menos “famosos”, estão cada vez mais preparados. Isso sem falar na autossuficiência do baiano, que credita mesmo naquela brincadeira de que baiano não nasce, baiano estrei


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Editorial, 10.MARÇO.2014 | Postado em Geral
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