Cama, Café e Bahia

O Cama e Café como meio de hospedagem é definido pelo Ministério do Turismo no Brasil, na matriz de classificação hoteleira, como uma hospedagem em residência familiar com, no máximo, três unidades habitacionais para uso turístico, com serviços de café da manhã e limpeza. Essa modalidade de hospedagem surgiu no Reino Unido, na primeira metade do século XX e ganhou o mundo. No Rio de janeiro já existe desde o início do  século XXI, como atividade semi-profissional, ajudando a compor o orçamento doméstico de famílias, sobretudo no bairro de Santa Teresa. A partir de 2010 a atividade foi regulamentada pelo Ministério do Turismo para a prática em âmbito nacional.
 
O pioneirismo nesse tipo de hospedagem é do Rio de janeiro, que continua como o benchmarking para todo o Brasil, ou seja, o Rio de Janeiro é o centro de inspiração, aprendizagem e comparação para esse tipo de hospedagem no Brasil. Lá eles possuem associações de empresários de Cama e Café que reúnem empreendimentos localizados em Santa Teresa, Leblon, Urca, Copacabana e outros bairros charmosos da capital do Flamengo, mas também em antigas favelas e bairros populares. Eles dão verdadeiras aulas de como trabalhar em conjunto, criando centrais de reservas e divulgando seus quartos em sites atraentes e bem feitos.
 
Aqui na Bahia o Governo do Estado, através da Setur, criou um projeto que está sendo executado pelo Sebrae, contratado para esse fim, voltado para identificação, qualificação e classificação desses meios de hospedagem. O projeto oferece aos interessados visitas de técnicos que vão certificar se as moradias se enquadram nos requisitos básicos para serem chamados de Cama e Café. Quem obtiver resposta positiva será qualificado através de consultoria, cursos e oficinas. Ao todo, serão capacitados mais de 100 meios de hospedagem em todo o Estado, sendo 40 só na capital baiana, onde o projeto Cama e Café vai contemplar empreendimentos nos bairros do Santo Antônio Além do Carmo, Candeal, Liberdade, Bonfim, Ribeira, Rio Vermelho e Comércio, considerados os Territórios Criativos de Salvador, pelo seu potencial cultural, turístico e pela pujança da economia criativa. Os estabelecimentos das cidades de Amargosa, Santo Antônio de Jesus, Cachoeira e Cruz das Almas também receberão os benefícios desse projeto, que ainda envolve o SENAC e o Banco do Nordeste como parceiros institucionais que atuarão com capacitação e linhas de crédito.
 
Sinceramente, todo esforço pela qualificação dos meios de hospedagem na Bahia é bem vindo. A estrutura dos hotéis e pousadas, sobretudo no interior do estado, merece atenção especial de todos que trabalham e fomentam o turismo por aqui. Assim, esse projeto merece minhas palmas. Por outro lado, não entendo a inclusão Amargosa e Cruz das Almas nessa lista. Se for por causa do São João, aí concordo menos ainda. A hospedagem em Cama e Café é um modelo mundial de hospedagem, onde o visitante se integra com a família que reside na casa. Ai está a riqueza desse formato de hospedagem. Ele é muito procurado por estrangeiros, estudantes e intelectuais que buscam conhecer a forma de viver daquela comunidade e conviver alguns dias com uma família ajuda muito nesse sentido. Assim, onde existe turismo cultural existe solo fértil para o Cama e Café.
 
Em Salvador e Cachoeira o público turístico é totalmente ajustado a esse perfil, mas em outros municípios realmente tenho dúvida se o esforço não será em vão. De qualquer forma, com acertos e erros, o projeto coloca a Bahia no circuito nacional de Cama e Café, qualifica e classifica meios de hospedagem domiciliar e aponta para a criação de novos negócios no turismo da Bahia. Vamos esperar que nossos Cama e café encantem os visitantes e tragam-nos de volta sempre e mais.


Leia mais


Editorial, 21.ABRIL.2014 | Postado em Geral
  • 1
Exibindo 1 de 1

Carregando...